terça-feira, 17 de setembro de 2013

A origem dos continentes e dos oceanos: "A inexistência das placas tectônicas"

Newton Monteiro de Campos Junior


Este artigo propõe algo diferente, que a origem dos continentes e dos oceanos – posição atual dos mesmos – ocorreu pela explosão da crosta granítica, em função das atrações gravitacionais. O Geógrafo Newton Jr. discorre ao longo do texto observações que indicam a inexistência das placas tectônicas e da deriva continental.


Consideremos, a priori, que Terra e Lua tenham sido formados há uns 4.500 milhões de anos, pela acreção sucessiva de material que orbitava o Sol. A densidade e estrutura de Terra e Lua era similar à dos demais planetas internos (Mercúrio, Vênus, Marte). O calor gerado pelos choques levou estes corpos a experimentar tais temperaturas que permitiu que ocorresse uma diferenciação parcial de seu interior. De modo similar ao observado na diferenciação na siderurgia, a crosta terrestre era formada por uma camada silicática, cerâmica, refratária. Era como a crosta continental atual, mas que cobria 100% do planeta.
Lua e Terra giram em torno do centro de massa do sistema Terra-Lua. O calor do interior da Terra tentava escapar, mas a crosta cerâmica, refratária ao calor, produziu uma região super aquecida. Esta região subcrustal, super aquecida, forma uma camada liquefeita de magma: a descontinuidade de Mohorovicic ou Moho. A Moho implica num grau de liberdade à crosta, como a de nossa pele em nosso corpo. A pele pode enrugar-se e mover-se, com bastante independência em relação aos músculos e ossos.
O início do Cambriano, há uns 540 milhões de anos, foi marcado pela chegada de um cometa (ver ilustração 1), vindo do cinturão de Kuiper e composto por água e amônia, mistura cujo ponto de solidificação está a cerca de 100ºC negativos. Com a aproximação do centro do Sistema e do calor do Sol, o cometa foi ficando menos duro, mais liquefeito. Por isso o impacto foi muito mais ameno do que o de um corpo rígido.

 Ilustração 1 - Toda a água da Terra pode ser representada numa esfera com entre 380 e 670 km de raio, dependendo da estimativa. Fonte: Jack Cook, Woods Hole Oceanographic Institution; USGS.

A vida, na forma de bactérias, pode ter vindo submersa nessa “espaçonave cometa”, e isso se mostra indicado pela explosão da vida ocorrida então. Quanto ao resultado desse impacto para nosso planeta, podemos até dizer que a explosão da vida no Cambriano foi mais violenta do que o impacto físico em si. Em 15 milhões de anos formaram-se todos os reinos existentes até hoje.
Com a tendência natural ao equilíbrio – e ao equilíbrio dinâmico –, a quase totalidade da crosta ficou coberta por uma película de água, com cerca de 3 km de profundidade. As exceções ficaram por conta dos muitos vulcões elevados por todo o planeta.
Como quase toda a crosta estava submersa, todos os continentes estiveram abaixo do grande oceano, como constatamos pela presença dos fósseis marinhos em todos eles. Essa pouca água foi suficiente para mudar o regime de resfriamento do planeta: um novo gradiente de temperatura na crosta. A crosta trocava calor e resfriava mais rápido que o interior.
A evaporação da água e da amônia criaram uma atmosfera rica em água e nitrogênio. Com o passar do tempo, esse oceano foi se tornando um pouco salgado, pela dissolução de substâncias da crosta continental hegemônica – agora submersa. A salinidade das células, ainda hoje, deve ser compatível com a salinidade oceânica de então. A vida que proliferava foi, aos poucos, enriquecendo nossa atmosfera também com oxigênio e, a partir desse, com nossa protetora camada de ozônio.
A pequena agregação de massa, pela acreção do cometa à Terra, implicou no desequilíbrio nas forças gravitacionais do conjunto Terra-Lua. A Lua passou a aproximar-se da Terra em movimento espiral convergente. Essa aproximação continuou até o final do Permiano – fim do Paleozóico, há uns 250 milhões de anos. No Permo-Triássico, o aumento da força gravitacional provocou uma extinção em massa de plantas e animais. Nesta extinção, até os insetos e trilobitas desapareceram.
Um imenso volume de substâncias orgânicas começou a depositar-se no fundo oceânico. Com a contínua aproximação lunar, antes mesmo da oxidação dos restos orgânicos, o aumento das marés gravitacionais rompeu a crosta silicática subaquática, criando imensas rachaduras – rifts. As águas escorreram para estas rachaduras e carregaram os restos orgânicos, que entraram em contato com o magma.
Por sobre a matéria orgânica cozida, com a evaporação da água, depositou-se o sal que estava contido nos oceanos. Por sobre esse sal, os fragmentos resultantes da continuidade do rifteamento da crosta terrestre. As estruturas formadas nesse evento são as plataformas continentais atuais (ver ilustração 2). A cadeia meso-atlântica marca a posição de um desses rifts.

Ilustração 2 - A estrutura da plataforma continental. Ilustração de Newton M. Campos Jr.


A Lua, ainda em sua órbita espiral convergente, continuava a aumentar sua velocidade de translação em direção ao centro de massa do conjunto Terra-Lua. Depois de alguns milhões de anos, ao final do Triássico, antes que a Lua explodisse pelas forças gravitacionais (Limite de Roche), a ruptura aconteceu no elo mais fraco. Foi a crosta terrestre que explodiu, em função de seu rifteamento e da descontinuidade subcrustal de Moho.
Houve uma nova extinção da vida em massa. A Lua não chegou a chocar-se, pois a velocidade lunar, a perda de massa terrestre e a conservação do momento fizeram com que a Lua passasse a uma órbita espiral divergente.
Com a explosão da crosta, as partes tomaram caminhos diferentes. Uma terça parte, que estava no lado contrário ao da atração no momento da explosão, se manteve grudada ao planeta – Pangea – mas seus pedaços se dispersaram de acordo com os rifts pré-existentes e de modo a manter o equilíbrio dinâmico planetário. A crosta explodiu como se tirássemos um pano que cobria uma bola. Esse pano foi puxado a partir de um ponto antipodal à meso Atlântica. África e América ficaram equidistantes da meso Atlântica. O paleomagnetismo nos confirma as rotações das partes continentais – em acordo com o Teorema de Euler[1].
Com a exposição de cerca de 50% do manto, as águas voltaram a evaporar-se.
Uma outra parte da crosta ainda pode ser vista como ofiolitos (pedaços de fundos oceânicos sobre os continentes) ou como loess (poeira do rompimento da crosta). Algumas partes da antiga crosta continental (silicática, refratária ao calor) foram enfiadas no manto, sendo detectáveis nas recentes tomografias do planeta. Algumas bordas do Pangea se elevaram por rebote elástico ou torção, gerando glaucofanos e xistos azuis. Formaram-se bacias à retaguarda das cordilheiras do Pacífico, e nessas bacias se depositou parte da poeira (loess) gerada. Por mais que não possamos datar formas, como nos lembra Jurandyr[2], em se tratando de um mesmo evento no tempo, as cordilheiras do Pacífico possuem a mesma idade que os fundos oceânicos. Por baixo destas cordilheiras elevadas na explosão gravitacional, formaram-se os batólitos. Essas intrusões magmáticas que não pressionaram as montanhas acima; apenas ocuparam o espaço que ficou por baixo delas.

Ilustração 3 - As montanhas da Ásia Central. 
Imagem tomada de http://davidderrick.wordpress.com/category/maps/maps-of-central-asia/.


A crosta asiática foi arremessada sobre a Índia. Formam-se Himalaya e Tian Shan (ilustração 3). A explosão também resultou em partes dispersas com crosta continental, como as ilhas Seychelles, ou como a elevação do Rio Grande, em meio ao Atlântico Sul.
Os oceanos voltaram a formar-se – com água doce – pois o sal depositou-se com a total evaporação dos oceanos anteriores. Podemos considerar que a cicatrização do oceano Pacífico, em virtude de sua dimensão, foi como uma cicatrização de dentro para fora (cicatrização de 2ª intenção). No Atlântico a cicatrização ocorreu de fora para dentro.


Ilustração 4 - Padrão zebrado no resfriamento de assoalho oceânico. Ilustração de Newton M. Campos Jr.

O magnetismo remanente identificado nas perfurações de fundo oceânico, com inversões sucessivas no aprofundamento, indica-nos um padrão de resfriamento – não de gênese – dessa nova crosta oceânica.
Simultaneamente com o afastamento, a Lua foi recoberta por estilhaços e poeira silicática – parte da crosta pulverizada ou em pedaços que arrastou da Terra. Quando recolhemos material na Lua, encontramos material similar ao da crosta terrestre. Isso incluiu alguma água, já constatada como isotopicamente similar à da Terra[3]. A Lua recebeu acreção desse material prioritariamente silicático enquanto se afastava. O material cobriu a Lua de forma irregular, provocando suas variações gravitacionais e deixando sua densidade menor que a dos planetas internos. Com a acreção, o raio lunar foi aumentado em 300 km, passando à dimensão atual.
Os choques dos estilhaços provocaram milhares de crateras na superfície lunar. A diferença entre o volume de crateras na Lua e na Terra advém da perda de 2/3 da crosta terrestre, eliminando crateras antigas, e da quantidade de crateras provocadas por essa recente acreção lunar.
A cadeia meso-atlântica indica-nos o perfil da separação entre África e América. Este segundo evento acontece quando as plataformas continentais já estavam parcialmente formadas em virtude do rifteamento ocorrido no evento anteriormente descrito.
O relevo subaéreo se altera mais rápido do que o relevo submarino. De um modo geral, o relevo dos continentes preservou-se mais durante o Paleozóico (submarino) do que no Mesozóico (subaéreo). Por isso, a razão isotópica do Sr foi maior no Mesozóico do que no Paleozóico.
Nos oceanos proliferaram, desde o início do Mesozóico, os ostracodes de água doce. Na Terra, as chuvas litificaram, ou lavaram e arrastaram os depósitos de loess – que se transformaram em silte e argila. Onde a pluviosidade ou o gradiente gravitacional eram pequenos, os depósitos de loess se mantiveram.


Ilustração 5 – Mapa histórico de Maton Pecsi (1991) mostrando a ocorrência de depósitos de loess (1-preto) e sedimento similar (2-cinza). Fonte: http://pages-142.unibe.ch/science/adom/goals.html.

Por volta do Aptiano, há uns 135 milhões de anos, os oceanos já dispunham de uma salinidade tal que foi provocando a extinção dos ostracodes de água doce e levando ao domínio dos ostracodes de água salgada. A salinidade atual dos oceanos é compatível com uma salinização provocada pelo deságue dos rios por 250 milhões de anos.
Melhor do que geoide, poderíamos definir o formato do planeta como um ovoide, com um bico de cerca de 1 metro de altura, que percorre a crosta de acordo com a resultante das atrações gravitacionais, principalmente do sistema Lua (2/3 das forças de atração) e Sol (1/3 da atração).
Essa maré terrestre se apresenta como uma crosta pulsante. Ela não pode ser identificada pelo GPS em virtude desses equipamentos não medirem distância[4] e de serem referenciados ao centro de massa (CM) da Terra.
O GPS consegue calcular com muita precisão as distâncias entre um ponto e outro na crosta, mas tem por referencial o CM da Terra. Cada vez que a crosta se move, o sistema se reposiciona. Assim como uma régua não pode medir sua própria dilatação, o GPS não consegue medir movimentos que afetem o CM da Terra. A crosta se move todo o tempo – vemos tais movimentos nas marés. As marés que afetam os oceanos, também afetam a crosta. Assim como o GPS não consegue medir a subida e baixada da crosta todos os dias, duas vezes ao dia, não consegue medir a distância entre dois continentes entre dois anos.
Os terremotos ocorrem principalmente nas áreas de maior fragilidade da crosta. No caso do oceano Pacífico – e sua cicatrização de 2ª intenção, de dentro para fora – a água que penetra por fissuras nessas áreas de fragilidade acabam por gerar solução e desabamento de arenitos e loesitos. Quando este desabamento afeta o fundo oceânico, um grande tsunami se forma. É o que temos assistido na sociedade dos espetáculos televisivos. Sobre o quê falavam os jornais imediatamente antes ou depois do grande tsunami que agrediu a costa japonesa há 2 anos? Uma anormal aproximação lunar[5] – a qual pode ter sido o gatilho do desabamento.

O trabalho completo, da conclusão de minha graduação em Geografia, pode ser acessado em http://www.crieseuanuncio.com.br/arquivos/Newton/TGIOrigemContinentes.pdf. São 50 páginas de história, 50 de justificativas, e 10 páginas com a minha tese, reescrita acima.
Já levo mais de 5 anos nesta tarefa e não tenho data para terminar. Cada dia mais radiante, já que as descobertas recentes tendem para meu lado – contra a tal tectônica de placas. Quando me perguntam a razão por eu não acreditar na tectônica de placas, sou direto: – Não acredito em virtude da inexistência de placas. Observem os mapas. Existem ridges, existem fossas oceânicas, e existem pontilhados nos mapas, interligando uns e outros. Sem esses pontilhados, as placas não existem. Ou seja, as placas existentes nos mapas não condizem com a realidade do planeta.

Dúvidas e críticas serão mais que benvindas.
Newton Monteiro de Campos Junior
USP 5403523



[1] Em geometria, o Teorema da rotação de Euler diz que, num espaço tridimensional, qualquer movimento de um sólido rígido que mantenha um ponto constante, também deve deixar constante um eixo completo. Isso também quer dizer que qualquer composição de rotações sobre um sólido rígido com eixos arbitrários é equivalente a uma só rotação sobre um novo eixo, chamado Pólo de Euler.
[2] Doutor Jurandyr Ross, professor de geomorfologia no Departamento de Geografia da FFLCH-USP.
[3]  Ver http://www.nature.com/news/common-source-for-earth-and-moon-water-1.12963.
[4] O sistema GPS é baseado em medição de tempo, por relógios atômicos de grande precisão. As distâncias são calculadas e ajustadas de acordo com outros satélites e referenciais (Datum) na crosta do planeta.
[5] Ver http://newswatch.nationalgeographic.com/2011/03/23/sizing-up-the-supermoon/.


41 comentários:

  1. impressionantemente coerente, vamos torcer que nos próximos ganhe um consenso científico, e comece as mudanças nos livros ...

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    1. Nos próximos dias 7 e 8 de novembro de 2013, estarei no IGeo, na UFRJ, no IV Encontro de Vulcões e Meteoritos, apresentando a palestra "A origem terráquea dos meteoritos lunares". De tempos em tempos, a cada livro, acrescento um ponto nesta tese. Fui incentivado pelo próprio Alfred Wegener que, na conclusão de seu livro "A Origem dos Continentes e dos Oceanos", observou que sua tese ainda era incipiente, e que ainda iria surgir um Newton que a esclarecesse melhor. Tomei isso como uma obrigação. Fique à vontade para escrever-me diretamente: newton@picheng.com.br.

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  2. Devia ter parado qd definiu errado a descontinuidade de Moho....
    Moho é o limite (contraste sísmico) entre crosta e manto, e não onde tem uma camada "liquefeita"... isso é a astenosfera..
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Descontinuidade_de_Mohorovicic
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Astenosfera

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    1. A observação da "camada liquefeita" foi feita por Leibniz, o pai do cálculo diferencial e integral, em 1710, observando os processos siderúrgicos. Ela vai ser confirmada por Mohorovicic quase 200 anos depois. A vantagem das observações de Leibniz é que, enquanto Isaac Newton olhava para o céu e as maçãs, Leibniz olhava para o solo: ele era engenheiro de minas.

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  3. parabéns pela remoção de comentários contrários ao vosso trabalho.

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    1. Muito bem observado Terráqueo Guilherme

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    2. O primeiro comentário era spam, e o segundo atingia diretamente o autor do texto, e o objetivo do blog é discutir os textos e as idéias que eles expõem e não seus autores. Se você quer discutir a vida das pessoas vá para um blog de fofocas.

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    3. meu e-mail é newton.campos@usp.br. Podem responder diretamente, sem passar pelo crivo do blog. É assim, com as críticas, que tenho construído minha tese.

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    4. Bem, Guilherme Fernandez, você não poderia repetir os comentários contrários ao trabalhos. A que você se opõe? Por quais razões?

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  4. Quanta bobagem descrita pelo autor nesse artigo. Não é a toa que a USP caiu no ranking das melhores. Aceitar um artigo desse, repleto de bobagens.... Esse autor deve estar usando drogas, não é possível. Os geógrafos deveriam ter vergonha desse profissional...

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    1. Você que deveria ter vergonha de um comentário desses, não é pq o texto foi publicado pelo blog que ele expressa a opinião do blog, eu sou um dos autores do blog, e discordo dessa teoria, mas de qualquer forma é uma teoria que causaria impacto e discussão, e é justamente por isso que foi publicada, não sinto vergonha, pelo contrário, sinto orgulho da coragem desse geógrafo em publicar um trabalho assim.

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    2. Para escrever este artigo, cheguei aos 62 anos de vida, estudei engenharia, trabalhei dezenas de anos como dirigente de áreas de informática, estudei comunicação, geofísica e geografia neste milênio, e vivo imerso em uma biblioteca com cerca de 5000 livros, sendo a metade da área Geo. Só me levanto de vez em quando, quando possível, para montar no lombo de uma moto e rodar por cordilheiras ao longo do planeta. Também deixei explícitos meu nome e meu e-mail. Sobre qual das bobagens você quer falar?

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    3. A ciência se faz de questionamentos e idéias "bobas" meu caro "Planeta Terra"... Quando este blog ou qualquer outro meio que se propõe ter laço, mesmo que singelo, com a informação científica tenha a postura que você demonstrou, poderemos tomá-los por religiosos, fanáticos ou simplesmente ignorantes... Qual será seu próximo passo ? Queimar em uma fogueira quem questionar o movimento dos astros ?

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    4. Vamos lá, Planeta Terra! Quando concluía o curso de Comunicação Social e decidi fazer Geologia, os colegas ficaram surpresos. Eu explicava, jocosamente, que iria estudar a comunicação entre os minerais. Depois, por insistência de uma irmã geóloga, professora numa universidade alemã, fui fazer Geofísica. Ela me disse: "Geofísica é mais chique, e os laboratórios do IAG-USP estão novinhos". Mas na Geofísica, como na Engenharia, a gente não é incentivado a discutir conceitos. Ficamos meio limitados a apertar botões. Foi na Geografia da USP é que fui mais incentivado a criticar, a aprender a argumentar. Meus antolhos, limitados às verdades matemáticas e físicas, foram um pouco abertos à sociologia, à política, à história. Hoje, já coleciono argumentações até para discutir sobre a comunicação entre os minerais. E uma cabeça, ao abrir-se a um conhecimento, já não consegue restringi-lo tão facilmente. Vamos lá! Discuta! Mova essas crostas Planeta Terra!

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  5. "Dúvidas e críticas serão mais que benvindas."

    E você retira "comentários contrários ao vosso trabalho"?

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    1. O primeiro comentário era spam, e o segundo atingia diretamente o autor do texto, e o objetivo do blog é discutir os textos e as idéias que eles expõem e não seus autores. Se você quer discutir a vida das pessoas vá para um blog de fofocas.

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    2. Publiquei mas não administro o blog. Meu nome e e-mail estão no artigo. Pode escrever-me diretamente: newton.campos@usp.br. Ficarei contente, pois tenho me alimentado nas críticas, até de criacionistas ou de científicos dogmáticos.

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    3. E então, Alice, você não poderia repetir os comentários contrários ao trabalhos. A que você se opõe? Por quais razões? Eu estou interessado em discutir e aprender significativamente.

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  6. Típico e ótimo roteiro de caráter hollywoodiano. Potencial enorme para direção e concorrer ao Oscar de Diretor de efeitos especiais e filmes de Ficção Científica. Spielberg que se cuide! Parabéns a USP pela excelência!

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  7. Creio que as dificuldades de Sir Harold Jeffreys (The Earth) e Keith McKenzie (Earth Science) em seus brilhantes estudos geofísicos contrários à tectônica de placas foi a inexistência de uma nova tese. Além disso há a linguagem que eles usam - matemática, reologia, sismologia - que costuma ser acessível a poucos. Assim é que busco construir uma nova tese crível, para deixar as pessoas confortáveis. Quanto ao filme, sim, é uma linguagem que pretendo usar. Já tenho discutido a respeito com o diretor cinematográfico de uma produtora européia. Por sugestão dele, em meus percursos pelas cordilheiras, em moto, costumo usar uma câmera GoPro Hero3. Certamente a linguagem cinematográfica é a que melhor se aplica para descrever uma história de meio bilhão de anos.

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  8. Eu não entendo a tentativa daqueles que visam desqualificar a USP. Algo assim só é possível num ambiente que respeite a pluraridade de pensamento, parabéns a USP por isso. Lamento os institutos e universidades que não permitem que debates como este ocorram. Particularmente, não creio que há argumentos suficientes para tal, acho que há embasamento satisfatório para a comprovação da tectônica. Porém, o debate é extremamente válido. Além disso há cientistas estodunidenses e russos que propõem teses parecidas, e nem por isso há motivos para desqualificá-los.

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    1. Nossos pensamentos contemplam os estágios de crença e da dúvida. O incômodo - excitação, irritação, insegurança - da dúvida nos leva a buscar e a nos abrigar na satisfação da crença. Quatro seriam os métodos pelos quais a crença pode substituir a dúvida. Três dos métodos seriam ditos racionais (que dependem do raciocínio humano): a tenacidade individual (confiar nas crenças já estabelecidas), a coerção da autoridade (cale-se ou morra) e o apriorismo (modismo, conceitos existentes a priori). Para um quarto método, pragmático, faz-se necessário recorrer a realidades ou experiências externas - sobre as quais nosso pensar não tenha efeito: o método científico. Essa metodologia é proposta por Charles Peirce (1839-1914), considerado o pai do pragmatismo e da semiótica. Essa é a metodologia que uso em minhas leituras, na seleção dos aspectos que devo ou posso considerar. O que é empírico (científico nos termos de Peirce) eu preciso considerar. O que é simples fruto da racionalidade e imaginação humanas, não tenho obrigação de manter. Comecei esta busca numa aula de Geofísica, há quase 10 aos, quando a professora Márcia Ernesto observou que as idéias de Wegener sobre a deriva continental foram comprovadas como falsas, física e matematicamente, em 1924, por Harold Jeffreys. E que voltam a ser válidas em meados dos 1960s. Como é que uma ideia que foi matemática e fisicamente comprovada como impossível, voltou a ser possível quarenta anos depois? Mudou a física? Mudou a matemática? Não, não mudaram. A tectônica de placas foi construída como um grande castelo de cartas. Em minha imersão nestes alicerces tenho encontrado crenças adotadas pela ausência dos conhecimentos geofísicos atuais.

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  9. Impressionante!!! Sério... impressionante os absurdos que o autor escreveu! Apesar de todos os termos técnicos e referências, nota-se que o autor não entende ABSOLUTAMENTE NADA de geologia, ciência essa que estuda e já COMPROVOU a tectônica de placas. Sinceramente não sei dizer qual foi a parte que "gostei" mais (leia-se ri mais)... talvez a lua ioiô, apesar de que a explosão formando os himalaias foi incrível também! Trata-se de um trabalho que não deve ser levado a sério (e de fato não é!)! Acreditar nessa teoria absurda é o mesmo que acreditar que deus criou a terra...

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    1. Agora vamos falar um pouco mais a serio e aviso-lhe que sou geologa, especialista em geoquimica e geocronologia na USP, com todos os titulos de parede (como servem aos iletrados de capacidade bizarra) e 32 anos de geologia. Creio que esse blog tem como finalidade discutir e confrontar ideias. Cito um exemplo do que pode ocorrer quando uma nova teoria surge: no meu tempo de graduaçao quando foi aventada a hipotese de um impacto de um grande meteorito ter causado a extinçao dos dinossauros, o assunto era considerado piada e o autor louco. E o que vc diria agora? O autor nao esta falando somente de geologia, ele discute astronomia, geofisica, etc. Quanto à sua afirmaçao de que a tectonica de placas ja foi estudada e comprovada, aconselho-lhe a ler diversos livros que discutem os pos e os contras. Mas vc vai ter que ler muito para aprender a nao criticar as pessoas com tamanho sarcasmo. Isso nao è ciencia

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    2. A tectônica de placas é multidisciplinar. Envolve astronomia, paleontologia, física, matemática, vulcanologia, biogeografia, e também geologia. Tem sido uma busca incessante pela agulha no palheiro. Numa recente viagem ao Quirguistão, visitando a cordilheira Tien Shan - que não se explica pela tectônica de placas - foi uma advogada quem me alertou: as águas do lago Issyk-Kul são salgadas por minas que saem diretamente no fundo do lago. Provei cada água dos rios e pequenos lagos do entorno por onde passei. Fantástico! Isso me solveu o problema de formação dos lagos salgados dos Andes, ou o Mar Morto. Não precisam ser formados por oceanos que se encolheram. Podem ser minas, como ali. Simples assim.
      Eu não decidi pela aproximação da Lua para explicar a posição atual dos continentes. Fui levado a esta hipótese pelos estudos do cosmos do Marquês de Laplace e de seu discípulo Eduard Roche, cujas formulações continuam válidas - e são usadas pela NASA - mesmo depois de 140 anos. Naveguei guiado pelo astrônomo George Darwin (filho do Charles) e pelo geólogo Frank Bursley Taylor, um dos grande nomes do século passado. Segui os estudos das cordilheiras asiáticas do geólogo russo Belousov, bem como de suas observações sobre os grandes batólitos sob os Andes e Rochosas. Sinto-me apto a discutir. Por favor, faça-me perguntas ou críticas mais objetivas, e poderei responder-lhe melhor, e indicar-lhe minhas fontes. Ou aprender com você.

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    3. Olá, Thiago M. K.! Existem muitas pessoas que acreditam que Deus criou a Terra. Já me defrontei com professor de Geofísica que me falou: "- Daqui em diante não discuto mais, pois sou católico!" Já tive criacionistas em minhas apresentações, e até já tenho uma resposta para alguns deles, quando afirmam que a Terra foi feita em 7 dias. Eu pergunto: - Quando é que Deus criou o Sol? Ele diferenciou luz e trevas logo no início da criação, mas foi apenas no quarto dia que criou o Sol. Então, cada um dos três primeiros dias pode ter levado ... 20 horas? 10.000 horas? Um e meio bilhão de anos? Então estamos em acordo. A mobilidade continental foi inicialmente proposta por um meteorologista, Wegener. A própria geologia tem seu berço entre as idéias de James Hutton, um médico e agricultor. Eu sei que não entendo de geologia, por isso continuo estudando. E você? Poderia nos dizer como VOCÊ comprova a tectônica de placas. Ou como VOCÊ não comprova a minha teoria.

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  10. Olá li o texto e fiquei com uma dúvida: Como as força das marés podem também influenciar em alguma coisa no núcleo da terra, uma vez que você tenha o magma se deslocando junto com a força das marés, deve portanto haver uma compensação por parte do núcleo?

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    1. As forças de maré agem sobre cada ponto do globo terrestre, núcleo ou crosta, e resultam principalmente das forças de atração da Lua (2/3) e do Sol (1/3).
      Fora da linha que liga diretamente os centros de massa dos corpos, a força adquire uma componente de compressão. A tensão superficial terrestre reage à essa compressão, de modo que o planeta irá ovalar-se. Isso é bem visível através das marés oceânicas (sobem em ambos os lados do planeta), e mensurável nas marés atmosféricas. Cada ponto da crosta, na altura do Equador, deve elevar-se cerca de um metro, duas vezes ao dia, estressando os continentes e aprofundando os alteritos. Isso vai permitir a existência de solos mais profundos na zona intertropical.
      Essa atração deve ser mais sensível nas falhas crustais, como San Andreas.
      Numa eventual aproximação de dois corpos planetários, as compressões provocadas pelas forças de maré podem ser tão grandes que podem estilhaçar o corpo menor. É disso que trata o Limite de Roche. No meu entender, é o que pode ter ocorrido ante uma aproximação lunar. Só que, antes que se estilhaçasse o corpo menor (Lua), como preconizado por Eduard Roche, a "corrente se rompeu no elo mais fraco". Em nosso caso, o elo mais fraco foi a crosta terrestre.
      Você pergunta como reage o núcleo ante as forças de maré. Creio que, visto que a reação é tão pífia a nível crustal (pífia em relação às dimensões planetárias), as forças exercidas sobre o núcleo deverão ser pouquíssimo atuantes. O planeta como um todo deve reagir, com um deslocamento de seu centro de massa da ordem de meio metro. Esse deslocamento é racional, de acordo com nossos modelos físicos, mas não deve implicar em movimentação física do núcleo terrestre.

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  11. Como vc explicaria as varias fases de dobramentos nos sedimentos permianos? e no caso da parte da litosfera que explodiu ( e soltou-se do manto), que parte seria? considere que se propoe que a Australia esteve ligada à borda oeste dos andes (isto è) antes da formaçao dos andes

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    1. Os solos permianos sofreram com todo esse evento de explosão da crosta. Continentes foram erguidos e dobrados. Os maiores dobramentos deverão estar nas bordas continentais onde não existem plataformas, ou seja, no entorno do Pacífico, ou onde um pedaço de crosta foi arremessado sobre outro: Pirineus, Atlas, Alpes, Himalaias. Como os sedimentos do permiano eram os mais recentes por ocasião do evento de explosão da crosta, estes seriam os menos rígidos, e os mais suscetíveis a aceitar um dobramento sem esfacelamento.
      A parte que se soltou é a que não está aí, ou seja, é o "não-Pangea". Virou pó (sedimentos intracratônicos, loess, cobriu a Lua), foi ejetada ao espaço, ou foi enfiada no manto, podendo ser observada das tomografias do manto (bem visíveis em virtude de serem refratárias). Por cima destas partes enfiadas no manto estão os vulcões com assinatura silicática, bem como encontramos aí as anomalias gravimétricas negativas, uma vez que essas partes silicáticas enfiadas no manto possuem menor densidade. Alguns pedaços caíram invertidos sobre o que nos sobrou de crosta continental: são os chamados ofiolitos.
      Não encontrei registros ou coincidências geológicas que nos permitam considerar que a Austrália estivesse ligada aos Andes. Ao contrário, ao menos nos Andes (ainda não estudei o leste da Austrália) encontramos sintomas característicos de alta pressão e baixa temperatura (como os provocados por choque meteórico ou pelo arrancar de uma parte da crosta). Essas características se expressam na forma de xistos azuis e de intrusões magmáticas realizadas sem pressionar a crosta acima (batólitos). Alguém se existem batólitos na costa leste Australiana?

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  12. Caro, não quero ofendê-lo mas essa teoria é uma vergonha alheia. Não entendi exatamente qual a sua área mas acho que faltaram estudos mínimos de petrologia, geotectônica e geologia estrutural. Deixe os seus 5000 livros de lado, vá no Sciencedirect.com e estude um pouco mais sobre os milhares de artigos sobre as zonas de subducção.
    Abraços

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    1. Caro Samurai. Minha área de estudo é a da investigação científica, da epistemologia, do como a ciência é feita, particularmente sobre o desenvolvimento do raciocínio sobre a formação da crosta terrestre. Se vamos falar de quantidades, o livro mais publicado no mundo é a Bíblia. A matemática é uma invenção da mente humana. A natureza não sabe contar.
      Faltam-me estudos em todas as partes, mas ainda não parei. Em todo lugar, em todo livro, com todas as pessoas, tenho algo a aprender. E creio tanto que tenho a aprender em todo lugar que me apresento aqui, de modo a poder ouvir opiniões que permitam corrigir ou complementar meu raciocínio.
      Creio que navegar é preciso, e uso a Internet incessantemente. Porém, não me bastam conhecer fórmulas e receitas feitas. No meu âmbito de estudos, por vezes, preciso ir ao como se chegou àquelas fórmulas. O que foi deixado de lado para o estabelecimento daquele modelo matemático? Preciso ser multidisciplinar, e cada disciplina tem seu vocabulário específico, afora o contexto temporal, tornando a tarefa muito difícil. O que um autor confiável afirma ser verdadeiro num momento, pode não sê-lo 10 anos depois. Há alterações significativas entre uma edição e outra de um mesmo livro. Limitar-me à Internet seria frustrante. Nem sempre conseguimos perseguir as referências, em virtude dos limites e dos preços de acesso. Eu gosto de meus livros.

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    2. Um cara como eu, que busca comunicação entre minerais, que acredita que um íon pesado pode fazer um estrago numa rede cristalográfica, não pode acreditar que nossa capacidade de raciocínio seja o que nos diferencia dos demais seres. Preciso crer que nosso diferencial seja essa nossa capacidade de armazenar e recuperar informações estrassomáticas (Carl Sagan). Assim, reverencio os livros e seus autores. E me orgulho de poder referenciar os livros de minha biblioteca particular. Ex Libris Newton Campos.
      Eu seria preconceituoso se dissesse que li sobre petrologia, geotectônica e geologia estrutural mais ou menos do que outros que o fazem por obrigação. Li ... um pouco. São as referências de cada livro que me remetem ao próximo. Tenho buscado sínteses, para abreviar meu caminho, mas o que mais me tem favorecido são as "dicas". Foi numa mesa de bar que um professor alertou-me: - Se todos os continentes migrassem para formar o Pangea, o planeta ficaria desequibrado! Foi num ônibus, a caminho de um trabalho de campo, que um professor que trabalhou na Petrobrás comentou sobre a importância da diferença de granulação do fundo oceânico: não é padrão de gênese, mas padrão de resfriamento, como o ponto de Curie. E foi num corredor do IG-USP (disse que não falaria em sala de aula) que um professor falou-me longamente sobre sua descrença na tectônica, pela existência de Kimberlitos. Aqui mesmo, no blog, dentre as conversas, alguém já me fez uma pergunta que me fez saltar de alegria: devo atentar-me às dobras do permiano.
      Lamento se deixei alguém envergonhado.

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  13. quanto aos kimberlitos, grande parte extruiu no cretaceo. mas existem kimberlitos mais antigos. li um paper sobre dataçoes radiometricas em granadas de kimberlitos. a dataçao da granda (que tinha diamante incluso) era do transamazonico, enquanto extrusao do corpo se deu no cretaceo. que evento foi esse que fez o kimberlito viajar tao rapidamente de modo que nao foi registrado nenhum outro evento?


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    1. O ciclo Transamazônico é uma denominação, por geólogos brasileiros, para uma fase tectônica que teria ocorrido há 2 bilhões de anos (paleoproterozóico superior), e que teria elevado grandes cadeias de montanhas.
      Cretáceo é um período geologicamente recente, entre 145 e 65 milhões de anos passados.
      O manto é tão homogêneo quanto a crosta.
      Os diamantes são formados há mais de 160 km de profundidade, por uma descompressão explosiva que pode ou não levá-los à superfície.
      Quando se deslocam em direção à superfície, os diamantes o fazem através de chaminés de kimberlitos. Não vejo conflito no fato de um diamante ser formado no Paleoproterozórico e ser levado à superfície no Cretáceo.
      O conflito aparece quando falamos em movimentação continental. Esse diamante, que já estava formado, há 160km de profundidade, precisou derivar e deslocar-se junto com o continente que estaria em cima dele, de modo que o deslocamento não teria se limitado à crosta, mas também a toda esta camada com mais de 160 km de profundidade. Isto não coaduna com a teoria da tectônica de placas.

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  14. nao digo com relaçao à movimentaçao continental, mas sim que evento teria trazido esses kimberlitos tao rapidamente à niveis superficiais

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  17. Ótima pesquisa Newton! Espero mais publicações sobre este trabalho!! Talvez na revista Paisagens...

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