quarta-feira, 15 de junho de 2011

Software Livre e SIGs

Os sistemas de informações Geográficas (SIG’s) tornam-se cada vez mais imprescindíveis para estudos de caráter ambiental assim como para diversas áreas do conhecimento. Pode ser utilizado como uma componente espacial, desde a cartografia até projetos que envolvem o marketing e a publicidade.
De acordo com Silva (2003) “o sistema de informações geo-referenciadas ou sistema de informações geográficas (SIGs) são usualmente aceitos como sendo uma tecnologia que possui o ferramental necessário para realizar análises com dados espaciais”.
Para as empresas especializadas no desenvolvimento de softwares, que oferecem múltiplos recursos tecnológicos para a manipulação dos SIGs, a comercialização envolve altos valores, dificultando muitas vezes o acesso de estudantes e pesquisadores a estes programas.
O uso de tecnologias livres e de códigos abertos contribui bastante para a universalização e democratização do acesso as tecnologias e para o desenvolvimento do Geoprocessamento e, consequentemente para a manipulação dos SIGs.
Neste contexto, são bem vindas iniciativas como a da revista FOSSGIS Brasil, que disponibiliza como conteúdo informações sobre o acesso a tecnologias livres e gratuitas. Lançada em março deste ano a revista “nasceu” para atender a necessidade de um periódico de alta qualidade, baseado nos princípios do software livre.
A revista é distribuída gratuitamente, sem necessidade de se realizar quaisquer cadastros, pagamento de taxas ou algo do gênero. Para obter o exemplar da revista é necessário apenas realizar o download na seção correspondente no site da revista.
Como destaca um dos artigos introdutórios da revista “na atualidade, o software de código aberto é visto como uma inovação e definido como uma fonte de liberdade, pois, possibilita ver e modificar o código, permitindo a comunidade que trabalhe em conjunto para manter o software estável e atualizado, com o objetivo de ir ao encontro dos objetivos” dos trabalhos ou pesquisas específicos.

A grande contribuição da revista é de fomentar o mercado das geotecnologias livres, e mostrar as alternativas existentes como opção às soluções comerciais, como o software  gvSIG, que vem sendo apontado como uma alternativa ao programa proprietário para SIG da ESRI, empresa que desenvolveu o ArcGIS.
O gvSIG foi desenvolvido em 2003 e sua primeira versão é de 2004, se constituindo a partir desta data em uma alternativa eficiente e livre. Atualmente este software possui várias versões: gvSIG Desktop, gvSIG Mobile e gvSIG Mini. O gvSIG possui licença pública, permitindo que se execute, altere, edite e seja redistribuído livremente, tendo total acesso ao seu código fonte.
           Outra característica do gvSIG são os formatos de dados espaciais que são disponibilizadas nas extensões mais comumente usadas: vetoriais - Shapefile, DWG, DXF E DGN e matriciais e acesso e manipulação de padrões OGC tais como KML, GML WMS, WFS e WCS.
           As alternativas proporcionadas por estes softwares atualmente, através das suas características e do suporte a execução dos SIGs, levam-nos a um novo patamar de acesso livre as novas tecnologias de processamento de dados e de informações geográficas.
         Os softwares livres estão se popularizando gradativamente beneficiando inúmeros profissionais, estudantes e pesquisadores, permitindo um acesso democrático e uma opção ao fechado mercado comercial.

Link da revista: http://fossgisbrasil.com.br/

REFERÊNCIAS:

SILVA, A. de B. Sistemas de Informações Geo-referenciadas: conceitos e fundamentos. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1999.
MEDEIROS, A. M. L. Um Raio-X do Projeto gvSIG. Revista FOSSGIS Brasil, edição nº 1. 39-42. 2011.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

CREGEO: Um Conselho próprio para os Geógrafos?

Neste 29 de maio dia do GEÓGRAFO, data de grande relevância para a nossa categoria, nos permitimos fazer uma reflexão sobre os caminhos que percorremos até aqui e, qual é o futuro que a nossa profissão nos reserva.
Com o passar dos anos, inegavelmente, há uma tendência progressiva de crescimento e valorização dos Geógrafos. O “mercado” começa a perceber a nossa importância no momento em que nossas atribuições tornam-se fundamentais no desenvolvimento de setores técnicos e de pesquisas antes restritas a outras áreas.
Até mesmo por desconhecimento é que empresas, órgãos governamentais e instituições possuem dúvidas relativas às habilitações que podemos realizar. Mas, a partir da inserção gradual dos Geógrafos nestas organizações o reconhecimento das atividades desenvolvidas vai adquirindo força e a repercussão do trabalho realizado torna-se significativa.
                 
                                       http://www.new.divirta-se.uai.com.br/

É claro que ainda temos muito a conquistar, principalmente no que diz respeito a autovalorização profissional. Precisamos compreender que é através da organização que poderemos incluir nossa profissão no mesmo patamar alcançado por áreas que hoje dominam o mercado onde também podemos atuar.
Neste contexto e diante das notícias vindas a respeito da desvinculação dos Arquitetos do sistema CONFEA-CREA, com a criação do CAU-BR, deve surgir em nós Geógrafos uma motivação para a criação do nosso conselho próprio.
O exemplo dos arquitetos, claro que analisado detalhadamente, serve para iniciarmos um debate amplo sobre este possibilidade. Por mais boa vontade que possa existir através do CREA, a representação dos Geógrafos é de certa forma ineficiente, pois, as câmaras temáticas deste conselho possuem um reduzido número de profissionais da Geografia.
Neste caso, surgem algumas indagações que precisamos também considerar: os espaços muitas vezes estão disponíveis, mas há participação? Assim, retomo o que falei anteriormente, é preciso organização. Precisamos discutir sobre quem vai participar do conselho dos Geógrafos - que este blog lança ambiciosamente sob o nome de CREGEO (Conselho Regional, e federal, de Geógrafos) - Somente os bacharéis? Ou poderemos agregar a todos os graduados em Geografia?
São questões de grande relevância e da qual temos sim que iniciar um debate. Ainda mais nesta data que representa o dia dos Geógrafos e simboliza os avanços e a história percorrida por todos nós atualmente.
Parabéns a todos os Geógrafos e que o CREGEO não seja apenas um sonho!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Estágio profissional em Geografia: formação, prática e reconhecimento

Roberto Verdum
Departamento de Geografia/IG/UFRGS


Quando se discute a formação e o papel do geógrafo na sociedade, necessariamente, questionam-se a construção histórica dos referenciais deste profissional e a sua responsabilidade social frente às demandas que se apresentam como fazendo parte de suas atribuições profissionais. Neste sentido, é fundamental questionar nossa formação, o reconhecimento e a atuação profissional. Estes três processos estão imbricados e revelam-se essencialmente díspares no conjunto dos profissionais de Geografia no país.
Atualmente, avalia-se que dois conceitos são básicos na produção geográfica brasileira: planejamento territorial e ambiental. O primeiro se formaliza, sobretudo a partir da construção das economias após a II Guerra Mundial, que impulsionaram as primeiras tentativas de planificação territorial. Já as práticas relacionadas ao conceito de ambiente são derivadas das pressões sociais e das políticas de proteção à natureza, geradas pela própria disfunção dos programas de planejamento territorial. No Brasil, essas dinâmicas sociais culminam com a elaboração das políticas relativas à avaliação dos impactos ambientais e seus respectivos instrumentos – Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental - (EIA e RIMA) – a partir da década de 1980. Neste contexto, entende-se que aos geógrafos caberia buscar e assegurar a dinâmica das suas práticas profissionais operando os conceitos de ambiente e território na perspectiva do planejamento. Inclusive no seu aspecto preventivo e prospectivo. Assim, caberia à Geografia estudar, definir e caracterizar as configurações espaciais dos fenômenos através do conceito de território e ambiente com o uso das diversas técnicas inerentes a sua formação (p. ex.: cartografia, foto-interpretação, sensoriamento remoto, etc.).
Destaca-se que, para o estudo das configurações espaciais dos fenômenos, três níveis de análise são fundamentais:
a) poder distinguir o(s) fenômeno(s) a ser(em) estudado no espaço geográfico;
b) poder analisar o dinamismo diferenciado do(s) fenômeno(s): escala temporal;
c) poder analisar e representar a dimensão do(s) fenômeno(s): escala espacial.

Assim, reconhecer a necessidade de formação e de capacitação do profissional nesta perspectiva é fundamental, para que este possa responder à sociedade, a partir das suas demandas, além de poder elaborar outras proposições de estudos ainda não manifestadas por ela.
Neste sentido, é necessária a reflexão cotidiana entre os estudantes e os profissionais da Geografia sobre como fazer esta área do conhecimento ser (re) conhecida e a necessidade de se fazer reconhecer como importante profissional disponível à sociedade. Profissional este capaz de refletir, elaborar, propor e implantar projetos essenciais à melhoria de determinadas demandas sociais. Isto é, tanto aquelas ações profissionais consideradas diretamente aplicáveis em relação a essas demandas, como aquelas que são fundamentais para a construção do aprimoramento teórico e metodológico da Geografia.


Quando nos propomos a trabalhar com a disciplina GEO 01009 - Estágio Profissional em Geografia, do Departamento de Geografia - IG – UFRGS, tínhamos a intuição que esta disciplina teria uma importância significativa no que se refere à formação dos alunos do curso de graduação, assim como na externalização  das atividades profissionais que concernem ao bacharel em Geografia. Neste sentido, iniciamos nossa estratégia a partir de contatos com instituições públicas e privadas realizando um levantamento preliminar dos locais onde existiam colegas geógrafos em atividade. Além disso, ao iniciarmos a primeira turma em 1999 procuramos ouvi-los na tentativa de atender os locais de seu interesse para a realização do estágio, assim como das atividades a serem desenvolvidas. Desta forma, estrategicamente iniciávamos os primeiros contatos com profissionais geógrafos ou não, que trabalham em instituições potencialmente interessantes para o desenvolvimento das atividades do estagiário e, por conseguinte, para o Geógrafo. Ou seja, não só criávamos a vaga para a realização do estágio, mas, também, o (re) conhecimento das potencialidades desse profissional.
Hoje, pode-se avaliar que os resultados alcançados ultrapassam as expectativas, tanto em quantidade como na qualidade dos estágios oferecidos na disciplina. Como características essenciais das experiências desenvolvidas pelos estagiários, destacam-se as várias temáticas capazes de serem oferecidas, tais como: estudos de caracterização e gestão regional, planejamento urbano, estudos de caracterização e estratégias fundiárias, análise de processos e dinâmicas ambientais, educação ambiental, elaboração e gerenciamento de bancos de dados e geração de produtos cartográficos digitais. Em relação aos problemas propostos para os estagiários nas temáticas territorial e ambiental, verificamos uma diversidade que acompanha o leque de possibilidades de estágio, que crescem a cada semestre.
Reforçamos que, em relação a essas experiências de estágios, que poderiam ser pensadas como atreladas somente ao meio acadêmico, os resultados gerados são muito interessantes. Inclusive, merecem ser ampliadas pela adoção de estratégias da Comissão de Carreira do Curso, assim como das associações profissionais, AGB-PA e AGP-RS. Como exemplo, há a possibilidade de se efetivar, posteriormente aos seus estágios curriculares, a continuidade das atividades dos alunos como estagiários remunerados e/ou como técnicos na perspectiva da futura contratação como geógrafos. Além disso, no contexto das relações que se estabelecem com as instituições que os acolhem, projeta-se a possibilidade do surgimento de projetos mútuos entre o Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFRGS e essas instituições. Este fato tem incentivado e consolidado a política adotada na disciplina, assim como, tem proporcionado a ampliação do reconhecimento do profissional nas demandas sociais. Demandas estas que não só se restringem a uma mera questão de mercado, mas que buscam construir outras referências que possibilitem a atuação profissional e o aprimoramento técnico-científico associados a elas.


Dicas de leitura:

CALLAI, Helena Copetti. A Formação do profissional da Geografia. Ijui: Ed. Unijui, 1999. v1. 80p.

HEIDRICH, Álvaro Luiz & VERDUM, Roberto. Estágio profissional em Geografia pela UFRGS. Porto Alegre: Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Porto Alegre. Boletim Gaúcho de Geografia. nº 27. p. 166-70. 2001.

PEDROSO, Nelson Garcia (org.) Geógrafos legislação, formação e marcado de trabalho. São Paulo: Associação dos Geógrafos Brasileiros. 1996.

VERDUM, Roberto. Perícias e laudos técnicos: Um espaço para uma nova prática científica. In: VERDUM, Roberto e MEDEIROS, Rosa Maria Vieira. RIMA: Relatório de impacto ambiental - legislação, elaboração e resultados. Porto Alegre: Ed. da Universidade da UFRGS, 5° edição. 2006.

terça-feira, 26 de abril de 2011

LÍBIA: A GUERRA DO PETRÓLEO

No final de março, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiu o comando das operações militares contra as forças de Kadafi, que reprimem as manifestações contrárias à ditadura do presidente Líbio.
Os Estados Unidos e os países europeus envolvidos conduzem esta ofensiva com a justificativa de acabar com o autoritarismo dos apoiadores do governo de Kadafi. Entretanto, convém lembrar que as maiores reservas de petróleo do continente africano são as existentes na Líbia. Neste caso, a operação militar deflagrada pela OTAN, assim como a que ocorreu no Iraque, se configura num álibi na tentativa de privatização da produção petrolífera e na inserção das empresas norte-americanas e europeias neste país.
                           
Em entrevista à Folha de São Paulo o sociólogo José Luís Fiori (coordenador do programa de pós-graduação em economia política internacional da UFRJ) declarou que a operação militar deflagrada na Líbia não se trata de uma discussão sobre o direito a vida dos líbios, ou sobre os chamados direitos humanos, e menos ainda, sobre democracia. Segundo afirmou, nesta, como em todas as demais intervenções deste tipo, de europeus e dos EUA, feitas neste último século, jamais se esclarece a questão central de quem tem o direito de julgar e arbitrar a existência ou não de desrespeito aos direitos humanos em algum país em particular.
Ele destaca ainda que a questão central na Líbia não é apenas petróleo, mas o que também está em jogo é o controle de uma região fronteiriça da Europa, parte importante á época do Império Romano. “Acho que já estamos assistindo uma nova corrida imperialista na África, e que não é impossível que se volte a cogitar de alguma forma renovada de colonialismo”, conclui o sociólogo.
Mesmo que a intervenção possua outros desdobramentos é inevitável que as análises se detenham a cerca do petróleo, pois, a Líbia é o 17.º maior produtor mundial. Produz 1,7 milhões de barris por dia, do total de 88 milhões a nível mundial.
As estimativas mais recentes situam as reservas de petróleo da Líbia nos 60 bilhões de barris. As suas reservas de gás em 1.5 trilhão de metros cúbicos. A sua produção tem estado entre 1,3 e 1,7 milhão de barris/dia e a produção de gás de 2,6 bilhões de pés cúbicos por dia (Diário da África), de acordo com os dados da National Oil Corporation (NOC).
Outro fator que gera reflexões da ofensiva militar na Líbia é sobre a presença da China no norte da África (11% das exportações da Líbia são para os chineses). Analistas consideram que os Estados Unidos pretendem afastar a China e consequentemente a chinesa National Petroleum Corp (CNPC) desta região do continente africano.
Todas estas questões deixam-nos perplexos e nos fazem refletir sobre até onde os governos são capazes de ir à busca de benefícios financeiros. Para eles não importa se haverá perdas de vidas inocentes e se a destruição da ordem de países será afetada, o que realmente importa é busca incessante de seus objetivos, articulando coalizões que buscam a todo custo o predomínio da força ao invés do diálogo e da negociação política.
É este ponto de vista que defendemos: a solução deve ser pacífica. A negociação diplomática neste caso deve ser decisiva. Os ataques continuam, vidas são perdidas quase todos os dias e, no entanto, o conflito não chega ao fim. As negociações devem incluir um conjunto maior de países e a ofensiva militar da OTAN cessar imediatamente.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Novo Código Florestal e Sustentabilidade

Neste novo texto o blog Geógrafos traz uma reflexão sobre o Código Florestal, um assunto que atualmente vem provocando polêmica no país inteiro, pois as mudanças que estão previstas são significativas para o meio ambiente e para as formas de ocupação do nosso território.
Em primeiro lugar, qualquer mudança que ocorra deve ter como principio fundamental a preservação dos recursos naturais do país. É inegável que o código vigente precisa de reformulação, assim, como outros códigos de diversas áreas que estão desatualizados, entretanto, não podemos permitir que ocorra um retrocesso e sim, devemos propor novas formas de preservação associadas ao desenvolvimento sustentável.
É justamente esta palavra: “sustentabilidade”, na “moda” atualmente, que deve ser a prioridade do novo código. Sem dúvida alguma há problemas que envolvem pequenas propriedades, muitas delas localizadas em áreas que inviabilizariam uma produtividade agrícola adequada, como as situadas em Santa Catarina. Mas, este fato não pode servir como justificativa para generalização de mudanças no vasto território do país.
As mudanças no percentual de reserva legal preservada, por exemplo, produzirão impactos diferenciados nas cinco regiões do país. Na proposta do novo código, as propriedades com até quatro módulos fiscais, ficariam desobrigadas da preservação da reserva legal de 20% em todo o Brasil.
Há que se considerar que na região amazônica, as características e peculiaridades existentes são diferenciadas e, além disso, sua representatividade para o país e para o mundo é significativa. Por este motivo, o novo código florestal deve atender as especificidades regionais, protegendo a biodiversidade e permitindo a aplicação de uma sustentabilidade real.
Outro ponto que gera polêmica no novo código florestal relaciona-se à diminuição das áreas de Preservação Permanente (APP’s). Na nova proposta, as APPs às margens de rios que devem ser preservadas seriam reduzidas de 30 metros de largura para 15 metros, em rios de 5 metros de largura. Este é um dos fatos mais preocupantes, pois, é possível verificar em quase todas as cidades do país uma ocupação desordenada, mesmo com a exigência atual. A urbanização avança progressivamente sobre córregos e rios e a vegetação quando não é suprimida é “sufocada” por habitações e outros instrumentos urbanos.
Além destas, existem outras mudanças que estão sendo sugeridas para o novo código florestal na tentativa de melhorar a produtividade e aumentar as áreas de lavoura nas pequenas propriedades, como as que modificam a proteção de nascentes. De acordo com a regra atual, a exigência é para a preservação da vegetação nativa em toda área em um raio de 50 metros da nascente, o que para muitos produtores inviabilizaria a produção se existirem mais de uma nascente na propriedade.
De fato, este problema existe, mas não é regra geral em todas as propriedades do país. Desta forma, devemos buscar alternativas e soluções que permitam uma produção agrícola associada à preservação das nascentes. Se isto não for possível, o novo código deve procurar formas de garantir subsídios governamentais que não prejudiquem os proprietários destas áreas, como por exemplo, a criação de reservas ambientais.


As mudanças no código florestal são muitas, assim, como os debates devem ser. É com este propósito que introduzimos este artigo, buscando ampliar as discussões e trazendo alguns aspectos que julgamos relevantes. Neste sentido, as conclusões que ficam é que seja o que for aprovado deve-se ter como princípio que a sustentabilidade não é utopia, desta forma, as mudanças propostas podem e devem seguir esta lógica, ou seja, não devem impedir o desenvolvimento agrícola nacional, mas, também não podem em função disto, criar regras que facilitem de alguma forma a ampliação de impactos ambientais.